Hora de planejar o futuro – Cuidando dos de casa

Chegamos a mais um fim de temporada, para o bem ou para o mal longos meses se desenrolarão até a próxima partida de temporada regular, ou até mesmo de pré-temporada e neste meio tempo, muitas coisas devem ser feitas visando melhorar a equipe para a próxima temporada.

Após mais uma vez cair no Divisional Round, desta vez para o Packers em um jogo decidido por milímetros, Seattle tem que vislumbrar o futuro e buscar o avanço dentro e fora do campo. Pete Carroll dificilmente sairá do comando da equipe e precisará lidar, junto a John Schneider, de muitos problemas, buracos, dentro do elenco da franquia. O Front Office de Seattle tem então, uma dura realidade a enfrentar, a equipe tem graves problemas e o time terá que se planejar muito bem, se quiser ir a outro Super Bowl.

Tendo isto em mente, trarei para você, caro leitor do Pro Seahawks Brasil, uma perspectiva em 3 partes sobre como Seattle deve, ou deveria, se comportar nesta offseason, quais movimentos a equipe deveria procurar fazer, quais cortes, contratações e escolhas no draft seriam mais sensatas visando um futuro vencedor. Para tal, este texto será baseado em minha opinião pessoal e não necessariamente no que a franquia vai fazer.

Então, irei separar esta primeira parte, de minha própria autoria, para “cuidar dos de casa”, ou seja, quais mudanças dentro do elenco devem ser feitas para a construção de um time que chegue ao topo, ou tenha pelo menos, todos os recursos necessários para isso.

Cortes

Este tópico deve ser o mais complexo e difícil de se definir. Quase sempre há um sentimento nostálgico a respeito de alguns nomes, ou um desdém em relação a outros. Em primeiro momento, quero dizer que tenho certa afinidade com a forma que as questões burocráticas e contratuais da NFL funcionam, por tanto, não estou falando com base em achismo ou um enredo elaborado por mim mesmo para ser prolixo, ou seja, “encher linguiça”. Quem nos acompanha, sabe que raramente durante a temporada escrevo algum artigo, para tal, temos uma equipe que jugo bem mais capacitada do que eu no que se refere a parte tática e técnica do desempenho do time. Atenho-me então, a escrever na offseason sobre o que gosto e o que realmente eu compreendo. Usarei neste artigo, uma linguagem simples e instrutiva para atender a todos os públicos e níveis de entendimento. Por tanto, aos que já compreendem os termos mais técnicos, me perdoem, mas serei simplista em alguns momentos para ficar bem claro para todos.

Mas, vamos ao que interessa. Os números dispostos aqui, em relação aos cortes, têm como base de referência o Over The Cap e o Spotrac, dois sites referencias quando se trata em assuntos contratuais da NFL. Também, procurarei tratar caso-a-caso para o melhor entendimento de quem talvez seja leigo no assunto.

Como todo bom administrador, antes de qualquer negócio deve-se averiguar a possibilidade da realização de tal negócio. Para tal, devemos em primeira instância verificar o montante disponível no momento, vislumbrando a saúde financeira da equipe.

Segundo a base de dados do Spotrac, Seattle contará com aproximadamente U$66,5M em seu Cap Space (dinheiro disponível para a franquia gastar com reforços, renovações e outros gastos), já o Over The Cap tem Seattle com U$63M. Em ambos os casos, o Seahawks encontram-se dentro do Top-10 de times com maior Cap Space da NFL.

*Parágrafo de correção:

A NFL diminuiu a estimativa de subida do Cap Space de U$202M para U$200M, isso pode não aparentar muito, mas é um valor significativo. Por questões de bônus e outros gastos que não foram detalhados, Seattle não terá U$66M em Cap Space, terá U$59,4M e será o número que iremos trabalhar. Outro detalhe é que, durante a negociação da NFL com a NFLPA ( Agencia que representa os interesses e direitos dos jogadores, negociando planos de carreira, saúde, indenizações e etc com a NFL), este valor pode voltar a ser alterado, para tal, não será necessário um novo ajuste no artigo, já que por via de regra costumo majorar o valor dos contratos aqui especulados.

Sabendo a disponibilidade de recursos, agora vamos para uma segunda etapa. Produtividade. Este é o momento de avaliar se seu jogador tem rendido o suficiente para “merecer” ganhar o equivalente ao contrato dado. Este estágio é importante, pois quase sempre existem “sanguessugas” que tirem valioso recurso que poderiam ser aplicados em um jogador de maior qualidade e que agregaria bem mais às necessidades da franquia.

Então vamos efetivamente aos nomes.

 

Justin Britt

Foto: Patrick Gorski – USA TODAY Sports

Salário em 2020: U$ 11,5M

Valor Garantido: U$ 3M

Valor Salvo em caso de corte: U$8,75M

Justin Britt antes da lesão, já era o jogador mais cotado para uma possível lista de cortes. Após assinar por 3 anos e U$27M, Britt mostrou-se incapaz de ser um Center adequado para manter a solidez do interior da linha ofensiva.

Retorno extremamente baixo dentro de campo e extremamente alto em caso de corte. Seu rendimento fala por si só e os U$8,5M salvos do restante do contrato, são um verdadeiro banquete para serem apropriadamente usados na free agency.

 

KJ Wright

Foto: CBS Sports

Salário em 2020: U$ 8,5M

Valor Garantido: U$ 2,5M

Valor Salvo em caso de corte: U$6M

Lembra do sentimento nostálgico que eu citei no início do artigo? Tudo se resumia a chegar no nome de KJ. O jogador é um dos remanescentes da defesa histórica de 2013 e campeão do Super Bowl com a equipe. Mas dois fatores não corroboram para a manutenção do jogador na equipe. Primeiro é o grande número de posições deficitárias no elenco da franquia e segundo o desempenho dentro de campo.

Apesar de alguns bons jogos e entrar no ranking da franquia por número de tackles, KJ já não joga o mesmo nível de anos anteriores, somando-se o fator Cordy Barton, que tem aparecido e pedido espaço no time. Com o valor salvo no contrato de KJ Wright pra 2020, Seattle poderá investir em jogadores mais jovens e em posições mais carentes do que linebacker.

 

Ed Dickson

Foto: Rod Mar – Seattle Seahawks

Salário em 2020: U$ 4,2M

Valor Garantido: U$ 866K (referente a 866 mil)

Valor Salvo em caso de corte: U$ 3,3M

Por mim, já teria sido cortado na última offseason, mas como deixaram passar, os frutos podres foram colhidos. Ed Dickson não conseguiu se manter saudável, nem tão pouco quando esteve, conseguiu contribuir de forma eficiente. Por isso, U$3M serão muito bem-vindos para gastar com jogadores bem melhores.

 

DJ Fluker

Foto: Elaine Thompson/Associated Press

 

Salário em 2020: U$ 3,5M

Valor Garantido: U$ 500K (referente a 500 mil)

Valor Salvo em caso de corte: U$ 3M

Discutivelmente o elo mais fraco desta porosa linha ofensiva. Após um ano animador em 2018, não conseguiu repetir o desempenho em 2019 e não tem motivo para continuar, já que talvez, até mesmo um Guard do College, consiga exercer sua função com um melhor aproveitamento.

 

Nick Bellore

Foto: AP

Salário em 2020: U$ 1,5M

Valor Garantido: U$ 500K (referente a 500 mil)

Valor Salvo em caso de corte: U$ 1M

Injustificável pagar U$1M para um Fullback que nem é utilizado. Depois de 15 semanas, foi aparecer sorrateiramente contra o Cardinals, mas isso não justifica o montante. É possível ter um jogador da posição de boa qualidade vindo do College no final do draft ou Undrafted (quando o jogador não é escolhido e pode assinar com qualquer franquia). Como eu disse, cada milhão conta e vocês me darão razão.

Usando o Over The Cap como nosso banco de dados, por ter maior precisão nos valores contratuais, chegamos a U$81,05M para montar um elenco competitivo e forte, que garantirá também a manutenção de contratos importantes nessa offseason.

É válido notar que deste montante, certamente entre U$3M e U$ 4M serão destinados a montagem do roster final (53 Jogadores da temporada regular) e mais U$5M para Pup List, Injury Reserve, Practice Squad e jogadores vindos do draft, somando-se um total, na pior hipótese, de U$9M. Então, no fim, teremos algo em torno de U$72M.

 

Renovações – U$72M

Para quem não tem muita familiaridade com os contratos da NFL, vale a breve explicação. O contrato é dividido em várias subpartes, como salário base, bônus de assinatura, bônus de roster, bônus por jogo, valor garantido etc. O valor garantido de cada contrato, seja por qual circunstância for, sempre estará dentro do valor referente ao salário do jogador, por exemplo. Se um jogador recebe U$22M dentro deste valor tem um valor U$ X garantido, como no caso a seguir.

O bônus de assinatura por exemplo, divide-se igualmente por todos os anos de contrato, fazendo com que o jogador tenha uma certa segurança em relação ao seu futuro e possíveis lesões.

 

Jadeveon Clowney

Imagem: Seahawks

Média Anual: U$22M

Valor Garantido:  U$40M

Valor Máximo em contrato:  U$66M

Bônus de assinatura – U$15M

2020:U$20M Base – U$20M garantido

2021: U$23M Base- U$15M garantido

2022: U$23M Base – U$5M garantido

Para concluir a explicação acima. Dividi o valor garantido em partes que não prejudicariam a saúde financeira da equipe no futuro. Há também uma regra, a qual o valor garantido não pode ultrapassar o valor total do salário referente àquele ano.

Quanto ao jogador, é desnecessário falar das qualidades de Clowney e seu impacto dentro de campo. O contrato o qual simulei, tem como base o contrato de Frank Clark com o Chiefs e Demarcus Lawrence com o Cowboys. Aplicando valor garantido parecido (na casa de 60%), e também com um salário de média anual superior ao dos outros dois. O caso é, Clowney tem problemas para se manter sadio e deve passar por uma cirurgia na offseason, nada muito complicado, mas seu histórico pode acabar fazendo com que Seattle, ou desista do negócio, ou consiga diminuir o montante aplicado no contrato do jogador. Por conta disso, meu bônus de assinatura, foi menor do que o dos jogadores citados anteriormente.

 

Jarran Reed

Foto: Alika Jenner/GettyMédia Anual:  U$14M

Valor Garantido:  U$26M

Valor Máximo em contrato:  U$56M

Bonus Ass. – U$12M

2020: U$11M Base – U$11M garantido

2021: U$14M Base – U$9M garantido

2022: U$15,5M Base – U$3M garantido

2023: U$15,5 M Base – U$3M garantido

Não há mistério, Reed é claramente um dos melhores DTs da NFL e ano passado podia com todo certeza estar no Pro Bowl, caso não fosse um tal Aaron Donald e um tal Fletcher Cox. Ainda assim, ele se coloca em uma posição para ter um dos melhores contratos de um DT da NFL. O jogador é jovem e pode exprimir o sentimento de uma franquia que quer vencer e pensa no futuro.

 

Jacob Hollister

Foto: Abbie Parr/Getty Images

Second Round Tender: U$3,3M

Jacob Hollister é um caso a parte. O jogador é um Restrict Free Agent (Agente livre restrito), que quer dizer que a franquia tem a possibilidade de pagar um valor definido pela NFL para mate-lo, já que o mesmo não tem 3 anos de contrato cumpridos ainda. Neste caso, outras franquias ainda podem negociar com o jogador, porém, dependendo da tender que for colocada no jogador (First Round, Second Round ou Original Round), a franquia que deseja contar com os serviços do jogador, terá que pagar para Seattle o valor referente ao designado pela tender .

 

Malik Turner

Média Anual:  U$1 M

Valor Garantido:  U$250K

Valor Máximo em contrato:  U$1M

2020: U$1M Base – U$250K garantido

Turner é um jogador prestativo e pelo valor baixo, vale a pena mais 1 ano para garantir a profundidade da posição no elenco.

 

David Moore

Média Anual:  U$1,5M

Valor Garantido:  U$250K

Valor Máximo em contrato:  U$1,5M

2020: U$1,5M Base – U$250K garantido

Semelhante modo a Turner, Moore é um jogador prestativo que vive altos e baixos. Sem muito mercado, deve voltar para Seattle por um valor baixo.

 

Shaquill Griffin e Chris Carson, entrarão na próxima temporada com contrato se encerrando ao final da mesma, o que poderia gerar uma preocupação quanto a novos contratos. Entretanto, acredito que neste momento, o mais prudente seja sentar e aguardar quanto aos dois atletas. Shaquill teve uma temporada de substancial melhora, mas teve um final de temporada conturbado, sofrendo bastante em alguns jogos, como contra o 49ers, em que ele foi exposto pelo recebedor Deebo Samuel. Já Chris Carson, é um jogador muito importante, mas assim como Thomas Rawls há alguns anos, uma lesão pode drenar seu desempenho e comprometer o Cap desnecessariamente, e isto é algo que não é uma opção para Seattle. Por isso, a prudência nestes dois casos, é algo primordial.

 

Garantir a permanência de jogadores importantes é primordial para se almejar o Super Bowl. Manter por perto, jogadores que contribuem, também é uma forma importante, de manter a competitividade e garantir uma fluidez do esquema utilizado.

Com todos os gastos feitos, Seattle ainda disporia de U$35,2M para gastar em reforços na free agency, dando corpo a alguns grupos que tem bastante deficiência no elenco, como a linha ofensiva. Para tal, a parte 2 deste artigo sairá em breve, tratando de jogadores que seriam interessantes via Free Agency e alternativas mais econômicas para jogadores que demandam grande volume de Cap.

 

O futuro vitorioso depende dos fracassos do passado” – Pro Seahawks Brasil

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