Estamos nos playoffs – Pós-Jogo Semana 15

Com a vitória sobre o Carolina Panthers por 30 a 24 no último domingo, o Seattle Seahawks garantiu sua classificação para os playoffs da NFL. Será a sétima aparição da equipe de Pete Carroll na pós-temporada em oito anos, a oitava em 10 anos como head coach da franquia.

Mas Seattle não conquistou a vaga antecipada com as próprias pernas. O time foi beneficiado com a derrota dos Los Angeles Rams para o Dallas Cowboys e agora, no pior dos casos, entrará nos playoffs como wildcard. No melhor dos cenários, os Seahawks podem ganhar a divisão e ainda terminar no primeiro lugar da NFC.

(Foto: NFL)

Seattle lidera a conferência com campanha de 11-3, mesma marca de Green Bay Packers, New Orleans Saints e San Francisco 49ers. Enquanto o time da Califórnia cedeu a liderança da NFC Oeste para os Seahawks após derrota para o Atlanta Falcons (Seattle fica à frente por conta do confronto direto), os Packers estão atrás dos Hawks por conta do critério de força de vitórias. 

No caso dos Saints, mesmo que eles tenham batido Seattle na temporada, com o empate triplo de campanhas na liderança (como ocorre entre Hawks, Saints e Packers), o critério principal passa a ser primeiro força de vitórias, no qual Seattle leva vantagem.

Seahawks comemorando a derrota dos 49ers no voo de volta (Foto: Reprodução/Seattle Seahawks)

Existe também um cenário, muito complicado, de Seattle ganhar a divisão mesmo perdendo para os 49ers na semana 17. Para isso, a equipe da califórnia precisa perder para o Los Angeles Rams no próximo sábado, e os Hawks precisam terminar na frente no quesito força de vitórias. Para isso, o 12th Man tem que torcer para o trio Arizona Falcons, Minessota Vikings e Philadelphia Eagles vencer dois ou três jogos a mais que o trio Saints, Packers e Washington Redskins. É uma conta bem complicada; mais fácil Seattle ganhar os dois jogos e deixar a calculadora de lado.

Enfim, chega de matemática, vamos para o jogo. A partida contra os Panthers parece ter sido um suco de tudo que aconteceu com a equipe até aqui em 2019 – as partes ótimas, boas, ruins, terríveis; teve um pouquinho de tudo na Carolina do Norte. 

As coisas começaram bem. Seattle teve um primeiro tempo sólido, com três drives consecutivas para touchdown na parte ofensiva, e uma ótima performance da defesa contra o passe. Como já era de se esperar, Christian McCaffrey jogou bem, mas foi só isso para o ataque dos Panthers quase o jogo todo.

Apesar de erros aqui e alí, chamadas covardes aqui e alí, Seattle abriu 30 a 10 de vantagem com sete minutos para o fim do jogo. Tranquilo, certo?! Nunca. É claro que a defesa cedeu dois touchdowns em quatro minutos e a vitória só foi confirmada após duas conversões de primeiras descidas dramáticas. Parece que é proposital para ninguém ficar mal acostumado.

Na 100ª vitória de Pete Carroll no comando dos Seahawks, a equipe igualou o Houston Oilers de 1974 como o único time a ganhar 10 (10!!!) jogos por uma posse em uma mesma temporada. Brincadeiras sobre ataque do coração a parte, a queda de produção nos minutos finais teve um fator gritante: as lesões na defesa.

Seattle terminou a partida sem seis titulares, Jadeveon Clowney, Ziggy Ansah, Shaquill Griffin, Mychal Kendricks, Bobby Wagner e Quandre Diggs. É bastante coisa para um time com reservas novos e que ainda estão aprendendo e se adaptando ao esquema e a NFL, casos de Cody Barton, Ugo Amadi e LJ Collier. Ainda mais jogando fora de casa, em uma das viagens mais longas da liga. 

Talvez o problema não tem sido o cansaço no fim, mas sim as oportunidades desperdiçadas para anotar mais pontos. Isso leva ao primeira ponto:

Inconsistência no ataque
Dificilmente o ataque de Seattle funciona bem por 60 minutos. No domingo, Pete Carroll e Brian Schottenheimer parecem ter se acomodado um pouco após três drives bem sucedidas para touchdown. Algumas chances desperdiçadas após turnovers da defesa, falta de coragem para ir em uma 4ª para 1 na redzone e a incapacidade, no geral, de matar o jogo.

Mas mesmo com esses problemas, o ataque funcionou bem durante a maior parte da partida. Russell Wilson voltou a ter uma partida espetacular, assim como Chris Carson e Tyler Lockett. 

Wilson sendo Wilson
Após algumas semanas de turbulência e performances apagadas, Russell Wilson voltou a jogar como um candidato a MVP contra os Panthers. O quarterback foi preciso durante todo o jogo, letal na endzone, decisivo quando necessário e conseguiu conectar big plays – algo em falta nos últimos jogos.

O camisa 3 também se beneficiou da condição física de Tyler Lockett. O recebedor pareceu estar 100%, ou perto disso, pela primeira vez desde o jogo contra San Francisco. Foram oito recepções em nove alvos, para 120 jardas e um touchdown.

Wilson terminou 20-26 para 286 jardas, dois touchdowns, nenhuma interceptação, rating de 137,7 e QBR de 91,8.

Jogo corrido
Mas o passe não foi o único fator do ataque no jogo. No caso, Seattle correu mais que passou no domingo, e Chris Carson se destacou com 133 jardas (5,5 por carregada) e dois touchdowns. 

Com Rashaad Penny fora da temporada, Carson foi obrigado a assumir um papel ainda maior no ataque dos Hawks. Por sorte, a primeira resposta foi bem positiva. O camisa 32 não só teve bons números, como conquistou conversões cruciais, como a 4ª descida que gerou touchdown de seis jardas no último quarto.

Sem Penny, CJ Prosise ganhou espaço como reserva imediato de Carson mas decepcionou. Após quase sofrer um fumble sozinho na beira da própria endzone, o RB foi trocado pelo novato Travis Holmer, que acabou com sete jardas em suas duas carregadas no 4 período.

Defesa desfalcada
Levando em consideração o número de lesões que a defesa de Seattle tinha no início do jogo, e as que sofreu durante, a performance nos primeiros 50 minutos foi ótima; mesmo sabendo que os Panthers não eram um grande desafio.

Wagner e KJ Wright tiveram um jogo memorável, combinando para três interceptações. Cody Barton apareceu bem substituindo Kendricks, com dez tackles e um QB hit. Mais uma vez, o segundo-anista Rasheem Green também foi destaque na linha defensiva, com um sack e um tackle for loss. 

De qualquer forma, os Seahawks precisam do retorno de seus titulares para o embate da semana 17 e a pós-temporada, caso contrário as coisas ficarão bem difíceis. Nesta semana, a maior atenção fica voltada para as lesões de Bobby Wagner e Quandre Diggs – que ainda não tiveram tempo de recuperação estipuladas. 

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