Um domingo de erros – Pós-Jogo Semana 14

Tudo deu errado para o Seattle Seahawks no embate do último Sunday Night Football contra o Los Angeles Rams, na Califórnia. Não só os rivais de divisão foram melhores na partida, vencendo por 28 a 12; como dominaram o jogo de ponta a ponta, expondo fraquezas de Seattle e se aproveitando de atuações abaixo da crítica para saírem vencedores.

O resultado não é aleatório ou inesperado. Talvez a forma como se deu a derrota assuste, mas Seattle está 2-4 contra os Rams desde que Sean McVay se tornou Head Coach da franquia em 2017; 1-4 nos últimos cinco jogos. McVay sempre parece estar muito preparado para lidar com o que os Seahawks trazem para mesa. O caso mais claro é o ataque – Goff, Gurley, Woods e companhia vinham tendo dificuldades na temporada, mas contra o time de Pete Carroll relembraram a equipe que chegou ao Super Bowl LIII.

(Foto: Reprodução/Los Angeles Rams)

A derrota atrapalha bastante as pretensões de Seattle ganhar a divisão e sonhar com um bye nos playoffs. Agora os Seahawks aparecem 10-3 na tabela da NFC Oeste, atrás do San Francisco 49ers (que bateu o New Orleans Saints e agora tem a melhor campanha da NFC) com 11-2, e na frente de Rams e Arizona Cardinals, com 8-5 e 3-9-1, respectivamente.

A conta não é tão difícil. Para não depender dos resultados dos 49ers, os Seahawks precisam vencer Carolina Panthers e Cardinals nas próximas semanas e derrotar San Francisco, no CenturyLink Field, na semana 17. Isso igualaria as campanhas das equipes em 13-3, com vantagem para Seattle pelas vitórias nos confrontos diretos. 

(Foto: Reprodução/NFL)

Mesmo assim, o título da divisão não garantirá automaticamente a bye. New Orleans e Green Bay Packers podem obter as vagas. Isso tudo em um cenário otimista; se Seattle tropeçar nas próximas duas semanas ou perder para San Francisco, ficará, a não ser que aconteça um desastre, com uma das vagas de wild card.

Depois de toda a matemática, vamos voltar para o jogo e ser direto ao ponto. O ataque comandado por Brian Schottenheimer teve uma performance ridícula, assim como a defesa no primeiro tempo. Seattle foi dominado taticamente, fisicamente e emocionalmente pelos Rams, algo que ainda não havia acontecido, com essa magnitude, nesta temporada. 

O placar de 28 a 12 até engana; uma pick six de Jared Goff, junto a outra interceptação lançada pelo quarterback dos Rams e um field goal bloqueado suavizaram o placar, que poderia ser muito maior. E merecia ter sido. 


Aonde foi parar o ataque?
Se uma coisa vinha sendo consistente para o lado dos Seahawks durante toda a temporada, isso era a habilidade do ataque de marcar pontos, independente da forma. Seja com Russell Wilson tomando conta da partida, ou com o melhor aproveitamento do jogo terrestre se destacando, Seattle sempre dava um jeito de chegar até a endzone. Antes da partida, a equipe de Pete Carroll havia marcado mais que 25 pontos em nove dos 12 jogos.

Tudo isso ficou para trás quando Wilson e a unidade ofensiva entraram em campo no Coliseu de Los Angeles. O começo enganou – uma drive longa na primeira posse, que resultou em um field goal para abrir o placar, deu a entender que tudo estava sob controle. Passes rápidos de média distância aproveitando a marcação em zona, running backs aparecendo bem em corridas e recepções curtas para bons ganhos. Um playcalling animador nos primeiros cinco minutos. O problema foi o que veio nos outros 55.

Os Rams neutralizaram o jogo aéreo de Seattle, e isso aconteceu por uma junção de fatores:

1) Primeiro, o embate entre pass rush e linha ofensiva foi desleal. Os Seahawks pareciam um time de ensino médio jogando contra profissionais. Em algumas jogadas, Aaron Donald chegou a receber marcação tripla, abrindo espaço para Dante Fowler e Clay Matthews. Quando ficava no mano-a-mano, Donald mostrava porque recebia marcação tripla. Ao todo foram cinco sacks em Wilson e um pocket sujo o tempo todo.

2) Segundo, os Rams fizeram um ótimo trabalho na secundária. Os recebedores não venciam rotas em marcações individuais; apenas uma ou duas rotas longas conseguiram ser conectadas durante todo o jogo – e isso já no 4º período. Além da marcação, os wide receivers não pareciam estar preparados para o gramado. Foram diversos escorregões, ou quando faziam a recepção, não conseguindo ganhar jardas depois, ou caindo antes e matando a rota. Um terceiro problema aonda foram drops, recepções fáceis em terceiras e quarta descida não agarradas. 

(Foto: Reprodução/Seattle Seahawks)

3) Terceiro, Wilson não jogou bem. Os primeiros dois pontos ajudam a contextualizar a performance do camisa 3, mas não a explicam em sua totalidade. É pedir muito que o QB jogue bem sem proteção e sem muita ajuda dos recebedores? Sim. Mas é o Russell Wilson, candidato a MVP, que já enfrentou inúmeras situações como essa e se saiu melhor. Não foi o caso deste SNF. O quarterback conectou 22/36 para 245 jardas, nenhum touchdown, uma interceptação (que cabe contextualizar que foi quase uma hail mary no fim do jogo), rating de 69,8 e QBR de 44,2. Longe do que se espera de Russ em prime-time.

4) Quarto, e não menos importante, as chamadas deixaram muito a desejar. Além do conservadorismo de sempre de Schottenheimer e Carroll; que acham uma boa ideia receber a bola, correr três vezes com ela e devolver ao adversário dois minutos depois; o playcalling do SNF foi um desastre. 

Seattle não tentou nada diferente para fugir da pressão oferecida pelos Rams. Bootlegs, jet sweeps, corridas desenhadas para Wilson, alguma coisa que aliviasse a pressão e tentasse confundir a defesa adversária. Mas não. Nós vamos correr pelo meio e tentar passes de média distância em terceiras descidas. Para Lockett, Metcalf, Gordon? Não, para recebedores não muito confiáveis, como Moore, Turner e Hollister, e isso deve dar certo! Grande ideia. Wade Phillips nunca imaginaria isso. 

(Foto: Reprodução/Seattle Seahawks)

Defesa sem resposta
Mas o problema de Seattle não foi somente o ataque. A defesa jogou mal, especialmente no primeiro tempo. O pass rush voltou a ser como na primeira parte da temporada: inexistente. Era de suma importância que os Seahawks pressionassem Goff – um quarterback que joga bem quando tudo funciona, mas que se assusta com o mínimo de pressão. No único lance notável de pass rush, Shaqueem Griffin chegou para sackar o QB, que se apavorou, e lançou uma pick six para Quandre Diggs – o único destaque do time no jogo.

Sem pass rush ficou fácil; todo play action entrava e dava uma avenida para Goff progredir, ler as rotas e escolher o melhor recebedor. Tudo ficou ainda mais desequilibrado com Seattle tentando defender a spread offense dos Rams com três linebackers. Ok, isso ajudou a parar Gurley, mas enquanto isso Robert Woods e Tyler Higbee apareciam livres para receber e progredir muito após a recepção. 

A defesa ficou confusa o tempo todo, parecia sempre atrasada com a velocidade dos Rams de ir para a linha de scrimagge e iniciar as jogadas. Esse bolo de erros deu a tônica para uma atuação desastrosa, que, de novo, foi até encoberta pelo placar, que deveria ter sido maior se não fossem os erros de Goff.

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