O Homem Mais Esnobado da NFL

Entra ano, sai ano e nada muda pelos ventos de Seattle. Desde que chegou à franquia em 2010, junto com o aclamado técnico Pete Carroll, John Schneider se consolidou como um dos melhores executivos da NFL. O que pouca gente sabe é que Schneider teve uma pequena passagem por Seattle em 2000, sob o comando de Ted Thompson, que posteriormente passou incontáveis anos em Green Bay. Com isso, Thompson, que reconhecia o já proeminente talento de Pro Scouting de Schneider, fez dele o Diretor de Operações de Football em Green Bay.

Após duas temporadas tenebrosas, pós era Mike Holmgren, Seattle procurou por uma mudança drástica no comando técnico e administrativo da franquia. Como já dito anteriormente neste artigo, a franquia Blue & Green contratou um fortíssimo nome para comandar as laterais do campo e o vestiário. Pete Caroll, head coach de USC (University of Southern California), que conquistou 2 campeonatos nacionais, 4x o Rose Bowl, 2x o Orange Bowl e 10x a conferência PAC-10 pelos Trojans. Os fãs de Seattle foram a loucura, mas quem comandaria o front office da franquia que parecia terra desolada?

John Schneider foi o nome contratado. Segundo rumores e histórias da época, o próprio Pete Carroll pediu, o até então prestigiado diretor de operações football em Green Bay, para ser o nome por trás de contratos e análises de draft, área a qual John se destacava.

Imagem: Associated Press/Matt York

Equipe montada, “mãos a obra”. Schneider em seu primeiro ano traz Marshawn Lynch em uma troca com o Buffallo Bills, por uma singela escolha de 4ª rodada do draft de 2011 e uma condicional no ano seguinte, que se tornaria uma escolha de 5ª rodada. Naquele ano ainda, Schneider colecionaria nomes importantes via draft, como Russell Okung e Earl Thomas III na primeira rodada, Golden Tate na segunda, Kam Chancellor na quinta e Anthony McCoy na sexta. Naquele primeiro ano, foram mais de 100 mudanças na equipe de Seattle entre idas e vindas. Mas os pormenores, são muitos e nos delongaríamos demais neste artigo.

Imagem: Seahawks.com

Em seu primeiro ano, Carroll e Schneider conquistaram a NFC West, que capengava com times frágeis diante da competitividade das outras divisões da NFL. Para se ter uma ideia, Seattle foi campeão com um record de 7 vitórias e 9 derrotas, sim, fomos campeões com mais derrotas que vitórias.

O inimaginável ainda estava para acontecer. Seattle enfrentaria de cara o atual campeão da NFL, o New Orleans Saints de Drew Brees e Sean Payton, e em um jogo marcado por uma única jogada, o BEASTQUAKE, Seattle venceria um dos favoritos a outro Super Bowl. Mas as aventuras do Seahawks nos playoffs acabariam em uma derrota para o Chicago Bears no jogo seguinte.

Os seguintes anos foram marcados por inúmeros acertos do General Manager de Seattle. Aliados a uma base de excelentes jogadores já incorporados antes de sua contratação, Schneider trouxe nomes certeiros para posições essenciais no que resultaria no primeiro Super Bowl conquistado pela franquia do noroeste do pacífico.

A chegada de Michael Bennett do Buccaneers, Cliff Avrill de Detroit, Chris Clemons do Eagles e o próprio Lynch, deram a Seattle a oportunidade de mesclar talento de jovens adquiridos via Draft e experientes jogadores que trariam robustez ao elenco e comando no vestiário.

Erros no percurso também aconteceram, como a fatídica troca pelo recebedor Perci Harvin, que seria um desastre total dentro e fora de campo e posteriormente a troca pelo Tight End Jimmy Graham, que fez a equipe perder um dos melhores centers da NFL por um jogador que pouco agregou. Em suma, os números de acertos sobressaem muito aos erros cometidos. Afinal, só os que estão dispostos a arriscar é que alcançam as maiores glorias.

Com o trabalho irretocável de trazer jogadores bons e baratos via free agency e trocas, Schneider dedicou-se junto com seus scouters a trazer um corpo jovem e talentoso que formaria uma das 5 maiores defesas da história da NFL.

Em uma análise corrida, em 2011 tivemos, James Carpenter na primeira rodada, KJ Wright na terceira, Richard Sherman na quinta, Byron Maxwell na sexta e Malcom Smith, MVP do Super Bowl 48 na sétima.

Em 2012, Bruce Irvin na primeira rodada do draft, Bobby Wagner na segunda, Russell Wilson na terceira. Ah! Que sequência!

Imagem: ESPN

A base do time campeão estava montada, a mescla de excelentes jogadores, com rodagem na NFL, com uma imensurável quantidade de talento via draft, fez desta equipe campeã do Super Bowl 48, humilhando o maior ataque da história da liga no maior evento esportivo do planeta!

Imagem: Associeted Press/Matt Slocum

Entre erros e acertos, Schneider montou um time vencedor e sempre deu exemplo de administração de contratos para a liga. Um bom exemplo talvez, seria analisar que Seattle teve Michael Bennett por 6 anos, pagando um total de U$66 milhões, enquanto o Eagles em 6 anos, pagaram U$ 103 milhões para Fletcher Cox. Não apenas este exemplo, mas a troca por Marshawn Lynch, os sucessivos acertos nos drafts de 2010 até 2013, transformando a franquia em uma maquina de conquistas, não apenas com 1 Super Bowl, mas uma aparição na final do ano seguinte, 4 títulos de divisão e 2 de conferência, além de 8 anos consecutivos com maior número de vitórias que derrotas.

Após a derrota para o Patriots no Super Bowl 49, Schneider viu a equipe estagnar por 2 anos, precisando reorganizar a casa em 2017. Trocou e dispensou medalhões, viu alguns dos melhores jogadores da equipe se aposentando por lesão, o cenário era terrível. Problemas de vestiário, jogadores querendo renovações recordes, era tudo o que um General Manager não gostaria de enfrentar. Imagine ter em suas mãos, um jogador futuro Hall da fama como Earl Thomas e vê-lo mandando um dedo para seu treinador. Seattle se complicou, a máquina que parecia uma potencial dinastia, fracassou em manter os egos no lugar, as ideologias extracampo, foram parar dentro de campo e tudo isso fez afetar o desempenho da franquia no posterior.

Imagem: Norm Hall

Kris Richard, Tom Cable e Derrell Bevell foram embora, com uma dúzia de outros técnicos secundários e executivos. Mudanças foram feitas em todas as áreas da franquia.Somando-se a isto, 49ers e Rams traziam sangue novo para Head Choachs e General Managers, logo já se percebeu a mudança na divisão. Cardinals e Seattle pareciam ter ficado para trás e a “magica” de Sean McVay parecia encantar a NFL. Seattle não seria mais protagonista, teria de se contentar com a posição de coadjuvante. Mas Schneider não admitiria ver sua franquia e seus fãs derrotados.

O que parecia um “rebuild” que derrubaria Seattle por 2 ou 3 anos, tornara-se uma cena chocante para a NFL. Seattle se manteve de pé, enfrentando de igual outras equipes, tirando vitórias importantes do poderoso Rams, mas ainda assim, era uma equipe frágil demais, com uma filosofia controversa na NFL moderna.

Schneider continuou trabalhando. Apesar de não conseguir ter drafts pomposos e com grande número de talentos se destacando na equipe titular, alguns achados foram se alinhando a uma base forte e coesa que já existia na franquia, e que digamos, não eram um problema no vestiário, pelo contrário, eram lideres que apoiavam os que estavam chegando.

Em 2017, de 11 escolhas, apenas Shaquill Griffin na terceira, David Moore e Chris Carson na sétima, tornaram-se contribuintes para a posição atual da franquia. Neste ano ainda, Seattle escolheu Malik McDowell com sua primeira escolha, no segundo round do draft. O jogador teve um acidente na offseason e nunca jogou um snap na NFL.

Em 2018 com uma escolha controversa na primeira rodada, quando a equipe escolheu Rashaad Penny, muito se discutiu sobre a capacidade de Schneider comandar Seattle rumo ao sucesso, creditando-se que o sucesso do Seahawks no início da década, passava pelas mãos de Scott McCloughan, que na época era diretamente ligado a área de scout. Mas isto mostrou-se uma inverdade. Neste mesmo ano, Seattle colheu os frutos de seu trabalho via draft. Rasheem Green, Will Dislly, Michael Dickson punter All-Pro em seu primeiro ano na liga e recentemente mostrando serviço entre os Offensive Linemens, Jamarco Jones. Todos nomes que estão em evolução e contribuindo para a equipe.

Imagem: Ronald Martinez

Chegou 2019, ano em que Seattle provavelmente seria coadjuvante novamente diante das poderosas equipes de Rams e San Francisco. A insanidade parecia ter tomado conta de Schneider, seu único e melhor pass-rusher, Frank Clark, foi trocado para o Chiefs, Earl Thomas saiu para o Ravens e agora via-se refém de outros dois problemas. Os contratos estratosféricos de Russell Wilson e Bobby Wagner, ambos, renovados. Além de pouco dinheiro no bolso, Schneider teve que lidar com outro fator, a falta de escolhas de draft.

Seattle tinha apenas 4 escolhas no draft, Schneider transformou-as em 11. Das 11, apenas DK Metcalf tem sido vastamente utilizado, sendo talvez o maior achado do draft no final da segunda rodada. Mas não paramos por aí. Marquise Blair, Cody Barton, Ugo Amadi são alguns dos que parecem ter um promissor futuro pela franquia. Ainda é cedo para dizer, mas os bons anos de draft podem estar se repetindo.

Lembra da mentalidade que eu havia citado no início deste artigo? Seattle mesclou talento jovem, com a experiencia via free agency e trocas.

Após sucessivos anos sem um Left Tackle titular, Schneider trouxe Duane Brown em 2017, jogador consagrado, 4x Pro Bowler e 1x First-Team All-Pro, do Texans, por apenas, 2 balas e um saquinho de jujuba. Brincadeira a parte, Seattle pagou uma escolha de terceira rodada em 2018 e uma escolha de segunda rodada em 2019. Preço para lá de barato, tendo em vista o benefício de proteger Russell Wilson. Ainda em 2017, Schneider ligou para Foxborough e trouxe Justin Coleman por uma escolha de sétima rodada. Coleman que hoje é um dos Slot Corners mais bem pagos da liga em Detroit, por U$9 milhões anuais. Bradley McDougald, safety free agent do Buccaneers, foi trazido por uma pechincha de U$ 2 milhões. Em 2018 renovado para mais 3 temporadas por apenas U$ 4,65 milhões por ano.

Imagem: Seahawks

Veteranos continuaram sendo incorporados enquanto Seattle se remontava. Sheldon Richardson, um dos grandes DTs da liga chegou, fez barulho, mas foi embora.

A filosofia dos anos vitoriosos de Seattle em 2010-14, estava restabelecida, faltava o time encaixar. E… encaixou!

Em 2019, Schneider foi atrás novamente de suas deficiências no elenco, trouxe outro grande nome do Texans, Jadeveon Clowney, por apenas uma escolha de terceira rodada do draft de 2020 e 2 garrafas de pinga ( Jacob Martin e Barkevious Mingo), pagando apenas 8 milhões para um dos melhores (4º melhor segundo o PFF) pass-rushers da NFL na atualidade. Mas era insuficiente, a defesa que perdera muitos nomes proeminentes precisava de mais, principalmente de um Safety de qualidade. Foi quando Seattle trouxe Quandre Diggs do Detroit Lions por uma escolha de quinta rodada em 2020 e uma escolha de sétima em 2021. Outra deficiência foi atacada, Tight Ends. Will Disly parece incapaz de manter-se saudável por uma temporada inteira, e novamente ligando para Foxborough, Schneider trouxe Jacob Hollister, promissor TE do Patriots para incorporar, a princípio, seu Practice Squad, e posteriormente tornando-se peça primordial na equipe titular de Seattle, por apenas uma escolha de sétima rodada.

Imagem: Seahawks

Schneider, pelas beiradas e quieto, vem fazendo um dos trabalhos mais bem feitos de toda a NFL. Manteve seus principais jogadores sob contrato, trouxe nomes impactantes por valores baixos, fazendo com que Seattle em 2020 seja uma das 7 franquias com o maior teto para gastos, com mais de U$60 milhões, fez as trocas necessárias para tornar o time competitivo e o resultado até o momento é o topo da NFC West e quem sabe, da NFC como um todo em breve. Mas a pergunta persiste. Porque na conversa de executivo do ano, seu nome é tão pouco aclamado e até mesmo entre os torcedores da franquia, seu trabalho quase sempre passa quase despercebido?

Na jornada de um time campeão, existem abismos, montanhas e tempestades, mas para aqueles que estão acostumados a trilhar caminhos difíceis, estes obstáculos são apenas uma rememoração do que já foi vivido um dia e a experiencia adquirida na primeira jornada mitiga todo o dano causado neste novo momento.

Nos últimos 10 anos, a liga viu um dos homens mais eficientes de sua história, montar uma das melhores defesas de todos os tempos, perder todos os seus principais jogadores e ainda assim, nunca deixar seus comandados serem derrotados. Esse amigos, é John Schneider, o homem responsável por um Seahawks que não conhece temporadas de derrota, um homem que, juntamente com Carroll, é responsável por uma mentalidade vencedora, um time que não se entrega, que não se abate e como Russell Wilson sempre diz, “Always believe”. Talvez tenha chegado o momento da liga finalmente condecorar um dos responsáveis por mudar de patamar e mentalidade uma franquia, uma cidade inteira com um dos trabalhos mais consistentes de toda a National Football League.

Imagem: Kevin C. Cox

Obrigado John Schneider, por mudar nossa franquia, por transformar o Seattle Seahawks em uma franquia que ano após ano, tem o respeito dos adversários, pois estes dias… demoraram muito a chegar para os que acompanham essa franquia por tantos anos.

 

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