Vitória da evolução – Pós-Jogo Semana 12

O Seattle Seahawks visitou o Philadelphia Eagles no último domingo e saiu vencedor por 17 a 9. O resultado veio em um jogo repleto de erros, mas que mostrou uma contínua evolução da equipe em diversos pontos, e de quebra ajudou o time de Pete Carroll a se manter na disputa pelo título da divisão e pelo primeiro lugar da NFC.

A vitória na semana 12 foi a sexta seguida dos Seahawks, assim como a sexta em seis jogos fora de casa (melhor marca da história da franquia). Com isso, Seattle chegou a 9-2 na temporada, a segunda melhor campanha da NFC; mas como o San Francisco 49ers tem a melhor com 10-1, o time segue garantindo vaga de wildcard. 

(Foto: Reprodução/Seattle Seahawks)

Na atual disputa, os Hawks tem mais vitórias que os líderes da NFC Leste e Norte, Cowboys e Packers, e perderia no critério de desempate contra os Saints, já que perdeu no confronto direto para eles. Ou seja, caso Seattle consiga ultrapassar os 49ers e vencer o Oeste, a chance de garantir uma bye nos playoffs é considerável.

Mergulhando no jogo em si, de fato, não foi a partida mais linda do mundo. Seattle cometeu erros cruciais no ataque, que em partida contra rivais mais fortes poderiam ter custado a vitória. Mas não foi o caso de domingo. Além dos Eagles se mostrarem bastante debilitados na parte ofensiva, a defesa dos Seahawks fizeram sua segunda grande partida da temporada (a segunda seguida) e mantiveram o confronto o tempo todo sob controle. 

A melhora da defesa habilita Seattle a ter sonhos reais de título. Se parecia improvável os Seahawks chegarem longe nos playoffs com o Russell Wilson tendo que produzir em um nível absurdo e acobertando erros a sua volta, com as unidades defensivas produzindo em um bom nível, tudo passa a ser possível.

Temos pressão
Como a narrativa, inevitável, das primeiras semanas foi o ataque e o desempenho de MVP de Russell Wilson, vale a pena virar a chave neste momento para saudar a defesa. A unidade, que antes havia tornado jogos fáceis difíceis, foi o fator decisivo nas vitórias contra 49ers e Eagles. E o carro chefe da mudança foi exatamente o mais delicado da equipe no início da temporada: o pass rush.

A linha defensiva passou a fazer tudo o que não vinha conseguindo: sackar o quarterback. E mais do que isso, caso não seja possível o sack, tudo bem, o mais importante é que o pass rush force o QB a se mover, fazer ajustes, pular leituras; no português mais simples: atrapalhar. 

O resultado mais claro disso são os turnovers. Sem pressão, QB’s ruins parecem medianos e outros medianos parecem bom. Foi o caso enfrentando Andy Dalton, Matt Schaub, Jameis Winston e companhia. Mas sob ameaça, quarterbacks lançam interceptações, sofrem stripsacks. O resultado: oito recuperações nos últimos dois jogos, cinco no domingo. 

Mesmo sem o melhor defensive end, Jadeveon Clowney, lesionado, o grupo de Seattle foi muito bem trazendo pressão em quase todos os dropbacks de Carson Wentz, com destaques para Rasheem Green (um fumble forçado, um sack e um tackle para perda) e Ziggie Ansah (um fumble forçado, 1,5 sack e dois tackles para perda); além de contribuições de Jaraan Reed, Quinton Jefferson, Al Woods e Poona Ford. 

Defesa como um todo
Com o QB pressionado, o trabalho da defesa toda fica mais fácil, e isso vem ficando evidente na atuação da secundária. Shaquill Griffin segue fazendo ótima cobertura pelo lado esquerdo da defesa, Tre Flowers evoluiu nas últimas semanas e conseguiu a segunda interceptação de sua carreira; e Bradley McDougald, que garantiu a outra pick da tarde, finalmente conseguiu um bom companheiro após a saída de Earl Thomas – Quandre Diggs. 

O safety envolvido em troca com o Detroit Lions traz mais velocidade para a defesa, mais inteligência na cobertura por zona e mais big plays.  

Entre os linebackers, destaque para Bobby Wagner, que ultrapassou a marca de 100 tackles pela oitava temporada seguida (as oito de sua carreira na NFL).

Penny e Carson
Outro destaque da partida foram os running backs: Rashaad Penny pelo lado positivo e Chris Carson pelo negativo. O segundo-anista passou a ter mais chances no segundo tempo, após desempenho fraco de Carson e conseguiu capitalizar como há tempos não fazia. 

O camisa 20 mostrou o que faz de melhor, cortes laterais em alta velocidade e muito agilidade após quebrar o primeiro nível. O resultado foi a melhor partida de Penny na NFL, com 129 jardas (9,2 por carregada !!!) e um touchdown em uma big play de 58 jardas. 

Por outro lado, Carson seguiu sem conseguir proteger a bola. Foram dois fumbles em duas jogadas seguidas (a segunda em uma clara falta de comunicação e falha de execução com Russell Wilson). São oito em toda a temporada, a pior marca da NFL entre running backs. Além dos turnovers, apenas 26 jardas em oito carregadas. 

(Foto: Reprodução/Seattle Seahawks)

Wilson errando
O torcedor de Seattle se acostumou a ver seu QB não errar no início da temporada. Todos são humanos e Russell Wilson vem mostrando que não é um robô nas últimas semanas. O camisa 3 lançou uma interceptação pela segunda partida seguida. (Em defesa de Russell, a pick deste domingo não foi horrível como as outras duas. Era uma 3ª para 25 e o QB lançou um passe 50/50; a defesa foi eficiente e garantiu o turnover após o passe ser desviado.) 

Mas pior que a INT em si foi o erro na primeira viagem de Seattle a endzone. Em outra situação de 3ª descida, Wilson escalou bem o pocket, evitou a pressão e ficou livre para passar para Jacob Hollister em um TD automático. Russell inexplicavelmente errou o passe e a equipe acabou se contentando com um field goal.

Ainda é preciso considerar que a proteção não foi nada boa para o QB, que acabou sofrendo seis sacks. E que DK Metcalf sofreu dois drops duros, o segundo que seria um touchdown de 38 jardas. 

O QB terminou a partida 13/25 para 200 jardas, um TD, uma INT, rating de 75,4 e QBR de 20. Apesar das estatísticas nada especiais, Wilson bateu um recorde histórico: se tornou o primeiro quarterback a somar oito temporadas vitoriosas em seus primeiros oito anos na liga.

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