Quem manda é Seattle – Pós-Jogo Semana 10

Você com certeza já está por dentro disso, mas por costume vai lá: O Seattle Seahawks visitou o San Francisco 49ers pelo Monday Night Football e venceu por 27 a 24, na prorrogação, com todos os requintes de crueldade possíveis. O triunfo no primetime manteve viva a luta pelo título da NFC Oeste, além de servir como uma boa demonstração de que o time de Pete Carroll pode sim brigar por coisas grandes na temporada.

Os Seahawks avançaram para 8-2 no ano, na vice-liderança da divisão, atrás dos próprio 49ers, que foram para 8-1 após ver sua invencibilidade, a última da NFL, cair. Os Rams aparecem abaixo com 5-4 e os Cardinals completam a tabela com recorde negativo de 3-6-1.

É difícil mensurar o que foi o Monday Night Football desta última segunda-feira. A primeira resposta e a mais fácil é: Foi o melhor jogo da temporada. Mas foi ainda mais. Foi um daqueles jogos que faz você se apaixonar ou lembrar que é apaixonado pelo esporte; aquele que faz torcedor vencedor e derrotado não conseguirem dormir, mesmo já de madrugada, ainda em êxtase com tudo o que aconteceu. Quase quatro horas de rivalidade, alto nível de competição, grandes jogadas, jogadores, erros e uma partida de xadrez imparável entre os times e as comissões técnicas. 

Jason Myers acertou o chute de 42 jardas que deu a vitória para Seattle na prorrogação (Foto: Divulgação/Seattle Seahawks)

Seattle fez de longe sua melhor partida da temporada na parte defensiva da bola. No ataque, foi bastante competente, apesar de não genial, para machucar a melhor defesa da NFC em seu estádio e vencer o jogo. Dito isso, o resultado não pode ser o validador único da análise – o jogo poderia ter ido para qualquer lado, como pareceu ter ido em vários momentos, até um erro ou uma recuperação do adversário mudar tudo. 

O mais importante para Seattle ao fim do jogo no Levi’s Stadium não foi o placar final, apesar de ser maravilhoso e influenciar completamente o restante da temporada; mas sim a demonstração de que o time consegue jogar o seu melhor em grandes momentos, contra adversários de playoffs. A demonstração de que talvez exista um caminho para os Seahawks chegarem longe na pós-temporada.

E isso é maior do que o field goal certo de um time ou errado de outro. Por Seattle ter perdido dois jogos em casa por uma boa margem (de placar e desempenho) e ter tido dificuldade para bater times fracos, como os Bengals, Falcons e Buccaneers, ainda era necessário provar mais. Existia uma grande dúvida de como a equipe se comportaria frente a outra do mesmo nível ou melhor – os Rams pareciam ter sido um bom teste, mas a queda do time de Los Angeles depois da derrota no TNF também colocou isso em dúvida. 

Era um jogo para entender quem são os Seahawks e até onde eles podem ir. E a resposta ficou bem clara: Seattle é um time competitivo; isso não quer dizer que é o melhor, o mais talentoso, o mais entusiasmante, ou que vai ganhar algo; mas vai competir. Vai fazer jogo duro com qualquer um até o final da temporada e nos playoffs – salvo algo excepcional. E podem muito bem ganhar se sobrarem chances para o Russell Wilson no fim.

Mergulhando mais no jogo em si, aconteceu tanta coisa nos 70 minutos, que é impraticável abordar cada drive, cada acerto, e cada erro no texto, senão isso aqui vai acabar virando um livro. Para encurtar um pouco a história, aqui vão os três principais fatores que fizeram o time de Pete Carroll jogar tão bem nesta segunda-feira; e o que ainda precisa melhorar para seguir vencendo. 

1 – Pass Rush (Aleluia!)

Jaraan Reed forçando o fumble de Jimmy Garoppolo (Foto: Divulgação/Seattle Seahawks)

 Se alguém revisitar todas as análises pós-jogo da temporada vai achar uma frase específica quase sempre: O pass rush de Seattle não existe. Acontece que pelo o que tudo indica ele nasceu em San Francisco e é muito bom. 

Mais 8 e 80 que Seattle impossível, então é o seguinte, nesta semana a frase vai ter que ser: Os Seahawks só ganharam o jogo por causa do pass rush. Pela primeira vez na temporada o time conseguiu dar um show de infiltrações, bull rushs, leituras rápidas e precisas, blitz certeiras e por aí vai. O grupo inteiro foi bem, antes de tudo parando o ótimo jogo corrido dos 49ers, depois chegando no quarterback e por fim arrancando a bola das mãos de Jimmy Garoppolo. A combinação de velocidade, técnica e principalmente agressividade impressionou e causou um efeito cascata muito positivo no restante da defesa. 

A linha inteira jogou bem e vários jogadores tiveram big plays, como Jaraan Reed, Poona Ford e Al Woods. Mas um se destacou e foi o melhor de Seattle no jogo: Jadeveon Clowney. O camisa 90 mostrou porque foi primeira escolha de draft com uma atuação assustadora, a melhor de um defensor dos Seahawks em um bom tempo. Clowney não só atacou o passe de San Francisco, mas fez a linha ofensiva adversária parecer de College. Foi pressão atrás de pressão, que geraram cinco QB hits, um sack, um fumble forçado e outro recuperado para touchdown. Depois disso fica difícil não fazer campanha para John Schneider pagar o homem no fim da temporada.  

2 – O restante da defesa

Quandre Diggs e companhia celebram a interceptação no 3º quarto (Foto: Divulgação/Seattle Seahawks)

Se tudo ficava mais difícil para a defesa com a falta de pass rush; com o bom desempenho da linha defensiva, linebackers foram menos queimados, enfrentando menos situações desfavoráveis, e a secundária viu a bola chegar mais suja, mais brigada no segundo nível, em melhor condição de fazer boas jogadas.

O lance que melhor simbolizou isso foi a interceptação do safety estreante Quandre Diggs no 3º quarto. Sim, Garoppolo lança uma bola alta, sim o WR Kendrick Bourne dropa o passe, mas a interceptação só acontece porque o pass rush foi eficiente na jogada. Kendricks e KJ Wright vão para a blitz e conseguem uma vantagem, o pocket está se fechando, o camisa 10 fica desconfortável e lança a bola com menos calma que gostaria (e que normalmente Seattle permite). O lançamento não sai perfeito, o recebedor não consegue fazer o ajuste e Diggs está no lugar certo para fazer a jogada que possibilitou a virada de Seattle.

Situações como essa aconteceram durante quase todo o jogo. Após os mandantes abrirem 10 a 0 de vantagem, Seattle não deu mais tempo para Garoppolo pensar e estabelecer um ritmo de jogo favorável. Diminuir o impacto do jogo corrido, colocar o QB em situações desconfortáveis, conseguir boas marcações na maioria das coberturas individuais e eventualmente forçar turnovers. Esta foi a receita de Pete Carroll e Ken Norton Jr. para ceder 14 pontos do início do 2º quarto até o fim da prorrogação.

3 – Russell MVP Wilson

Russell Wilson e Pete Carroll comemoram sua 83ª vitória juntos (foto: Divulgação/NFL)

Normalmente textos tendem a dar preferência ao que aconteceu de mais diferente, de mais fora do normal. Como o fora do normal nesta temporada do Russell Wilson vêm sendo erros, vamos começar logo com a interceptação. Na prorrogação da semana 10, após 321 tentativas de passe, o camisa 3 lançou sua segunda pick na temporada. Não foi ideal, não foi insignificante, mas aconteceu.

Uma leitura equivocada contra marcação dupla em zona, a bola acabou curta em direção ao TE Jacob Hollister e o LB Dre Greenlaw interceptou Wilson e ainda retornou para mais 43 jardas. Foi um momento para relembrar que o QB de Seattle é humano e eventualmente erra. Posto isso, o time de Pete Carroll chegou até a prorrogação porque Russell foi fantástico mais uma vez e ganhou porque Russell foi fantástico mais uma vez.

Uma das características mais importantes do jogo de Wilson é o seu completo senso de confiança e liderança. As duas noções andam conjuntas para que ele não se perca em seus erros, quando eventualmente acontecem. Dentro da cabeça do número 3, o raciocínio é bem simples: A bola foi interceptada. Aconteceu. Segue em frente. A defesa vai me dar outra chance e eu vou conduzir o time à vitória. Dito e feito.

Não foi o dia de estatísticas impressionantes, 24/34 para 232 jardas aéreas, 53 corridas, 1 TD, 1 INT, rating de 86,9 e QBR de 71,8. Mas foi o dia de liderança, foi o dia de achar um jeito de vencer com uma corrida decisiva de 18 jardas saindo do pocket com um minuto para o fim da prorrogação. Foi o dia de ser MVP.

4 – O que melhorar

O jogo ter sido ótimo não significa que foi perfeito. Os Seahawks erraram bastante e isso também tem que entrar na conversa, independente do resultado final. Se defensivamente não há tanto o que condenar, principalmente após os ajustes do 1º quarto, ofensivamente ainda temos problemas e o maior deles no MNF foi a proteção da bola.

Seattle é o segundo time da NFL que mais perdeu fumbles na temporada, atrás apenas do 2-8 New York Giants. São 11 no total e três na última segunda-feira – além de outro que foi recuperado. É claro que essa marca é influenciada pela ótima defesa de 49ers, que realmente força muitos turnover, mas é preciso fazer melhor. 

Além dos running backs, DK Metcalf sofreu um fumble desnecessário na beira da endzone que custou pontos a Seattle; Wilson largou uma bola, que foi recuperada por Germain Ifedi. O Tackle inacreditavelmente tentou correr com ela ao invés de cair no chão e obviamente perdeu a posse mais uma vez. Erros evitáveis e que poderiam ter custado mais caro ao time.

Falando especificamente dos corredores agora, os RB’s precisam fazer um trabalho melhor protegendo a bola. Foi o sexto fumble de Chris Carson no ano, o dobro do que ele teve em toda sua última temporada, sendo a pior marca entre running backs em 2019. O camisa 32 é um bom jogador e peça importante do esquema de Brian Schottenheimer, mas precisa corregir os erros e melhoras neste sentido. De bônus, Rashaad Penny, que vem tendo temporada apegadíssima, também entrou na contagem e soltou uma bola no 3º quarto. O pior neste caso é que ele só teve duas carregadas na partida e está se provando cada vez mais como um bust.

Gráfico de carregadas de Chris Carson na partida (Foto: Reprodução/Next Gen Stats)

One Reply to “Quem manda é Seattle – Pós-Jogo Semana 10”

  1. […] chegar a 10-2 na tabela NFC Oeste, mesma marca do San Francisco 49ers, que fica atrás devido ao confronto direto da semana 10. Depois aparecem o Los Angeles Rams com 7-5 e o Arizona Cardinals com […]

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