Pouco para comemorar – Pós-Jogo Semana 8

O Seattle Seahawks venceu, mas não convenceu no último domingo. A equipe comandada por Pete Carroll visitou o Atlanta Falcons e saiu com um irregular triunfo por 27 a 20. Após bom primeiro tempo e larga vantagem construída no placar, os visitantes pouco se esforçaram na parte final e quase permitiram que o fraquíssimo time da casa gerasse maiores problemas.

De qualquer forma, a vitória ajudou Seattle a ficar 6-2 na temporada e 4-0 fora de casa pela segunda vez na história da franquia; mantendo a vice-liderança da NFC Oeste, atrás do ainda imbatível San Francisco 49ers (7-0) e na frente do Los Angeles Rams (5-3) e Arizona Cardinals (3-4-1).

O perigo dessa semana é deixar o resultado cegar o que foi o desempenho da equipe na Georgia. Para que isso faça sentido, vale relembrar o contexto: Atlanta chegou 1-5 no jogo, com possivelmente a pior defesa da NFL e sem seu quarterback titular Matt Ryan, machucado, dando lugar ao veterano Matt Schaub. 

(Foto: Reprodução/Seattle Seahawks)

Para completar, o time havia acabado de trocar seu segundo melhor recebedor, Mohamed Sanu, para o New England Patriots e a Mercedez Benz Arena não estava cheia (longe disso), com a torcida já bem desanimada com a temporada da franquia.

Com tudo isso na mesa, fez sentido o ótimo primeiro tempo de Seattle, que não precisou fazer muita coisa além de aproveitar as fraquezas e falhas do adversário para construir placar de 24 a 0. Russell Wilson lançou pouco, mas foi preciso e achou DK Metcalf duas vezes na endzone. Tyler Lockett roubou a cena com ótimas recepções em boas coberturas, fazendo um trabalho fantástico no slot. O jogo corrido também funcionou com Chris Carson e Rashaad Penny e a defesa evitou grandes avanços, além de forçar dois turnovers, com Mychal Kendricks e Jadeveon Clowney.

Isso tudo antes dos times irem para os vestiários. Depois, quase nada de positivo. Nem no ataque, nem da defesa. Para variar, Pete Carroll adotou seu modo 100% conservador e o time começou a correr desenfreadamente com a bola, só que sem o mesmo sucesso da 1ª etapa, após alguns ajustes defensivos dos adversários. Das quatro drives de Seattle, as quatro começaram com corridas e Wilson só passou em primeiras descidas uma vez. Ao todo, o QB só lançou seis vezes na parte final do jogo. 

No lado defensivo, a linha defensiva não conseguiu mais pressionar Schaub ou tacklear Devonta Freeman para ganhos curtos. As corridas de Atlanta começaram a machucar mais, e pior, os passes começaram a entrar em rotas médias contra os linebackers jogando em zona no 4-3 (já falei várias vezes sobre esse problema) e em rotas mais longas contra a desfalcada secundária de Seattle. Se o matchup com Julio Jones já seria desfavorável para Tre Flowers; sem ele, Akeen King e Neiko Thorpe tiveram muita dificuldade para segurar o camisa 11. 

A combinação de fatores fez Atlanta pular de 0 para 20 no marcador, sendo que o rookie Marquise Blair ainda forçou um fumble recuperado por Bobby Wagner na redzone, senão o estrago poderia ter sido ainda maior. Ofensivamente, três pontos chorados em um field goal de 54 jardas de Jason Myers. Nas outras três drives, três 3 and out’s. Muito pouco contra uma defesa que cede em média 31.2 pontos por jogo, a segunda pior marca da NFL. 

Carroll precisa mostrar mais

Pete Carroll tem cometido erros semana após semana. Domingo não foi uma exceção e o próprio headcoach assumiu a responsabilidade pela queda de desempenho da equipe no segundo tempo. Em entrevista coletiva após a vitória, o técnico afirmou que “precisa fazer um trabalho melhor”. 

E realmente precisa. O desempenho de Seattle vem sendo suficiente para vencer os Bengals, Steelers sem Ben Roethlisberger, Cardinals, Browns e Falcons; todos times com recordes negativos. Contra equipes mais competitivas e com chance de playoffs, Seattle está 1-2 (sendo que os três jogos foram no CenturyLink Field). O único bom teste que os Seahawks venceram foi contra os Rams, sendo que ainda dependeram de um field goal errado no último instante. 

Pode ser que seja o suficiente para garantir uma vaga na pós-temporada, mas é pouco para pensar em objetivos maiores.

Precisamos falar sobre Blair

Se a vitória trouxe vários pontos negativos no segundo tempo, Marquise Blair não foi um deles. O safety novato foi titular pelo segundo jogo consecutivo, com Bradley McDougald ainda se recuperando de lesão, e mais uma vez apareceu bem. A escolha de 2ª rodada jogou 86% dos snaps da defesa e 27% dos especialistas, somando um fumble forçado, nove tackles feitos e dois assistidos, a maior marca da equipe.

Com Tedric Thompson não aspirando nenhuma confiança, a tendência é que o rookie ganhe seu espaço definitivo como titular na defesa ao lado de McDougald. 

Recorde de Wagner

O domingo também foi de recorde para Bobby Wagner. Com seis tackles, o linebacker se tornou o líder da estatística da história da franquia, com 991, ultrapassando o safety Eugene Robinson. O camisa 54 e capitão da defesa ficou com a bola do jogo após a vitória.

Companheiro de Wagner, KJ Wright subiu para quarto na lista dos maiores tacklers, com 791, ultrapassando o defensive tackle Joe Nash.

Voa Lockett

Tyler Lockett teve mais uma bela partida com os Seahawks, somando 100 jardas em seis recepções. O recebedor parece cada vez mais completo, trabalhando muito bem no slot nessa temporada, assumindo o papel realizado por Doug Baldwin, e diversificando cada vez mais sua árvore de rotas.

(Foto: Reprodução/Next Gen Stats)

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